Formar sucessores, o estado da arte da liderança

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Por Millor Machado

Nos anos em que trabalhei como executivo na Fundação Estudar, criada por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, uma coisa me chamou atenção: o foco que eles dão para a formação de pessoas.

Por mais que praticamente toda empresa fale que olha para o time, é impressionante o grau de prioridade que isso teve em todas as reuniões em que pude interagir com eles.

Obviamente, o foco em resultados é importante. Sem resultados, nenhuma organização é capaz de ficar de pé. Porém, percebo que a grande sacada do trio é entender que os resultados de longo prazo, só são viáveis através da formação de pessoas.

Trazendo mais para o dia a dia, gostaria de falar sobre um pensamento muito comum, mas que infelizmente vai muito contra essa ideia da formação de pessoas, consequentemente, dos resultados de longo prazo.

Esse pensamento é o de: se quer bem feito, faça você mesmo.

Na minha experiência, líderes que pensam dessa maneira estão fadados a resultados medíocres.

Considerando que todas as pessoas têm 24h no dia, é humanamente impossível que uma única pessoa consiga fazer muitas coisas com certo nível qualidade.

Na prática, o crescimento verdadeiro do resultado só vem através da formação de times, que sejam capazes de executar atividades cada vez mais especializadas.

Daí é possível que você esteja pensando “Mas e se eu treinar pessoas para fazerem o que eu faço, eu não me tornarei desnecessário?”.

A resposta curta é: sim!

Porém, elaborando um pouco mais o raciocínio, te digo que: sim, você se tornará desnecessário para essa parte do processo, se tornando necessário para algo ainda maior, mais estratégico e que seja capaz de trazer resultados de alto valor agregado.

Para exemplificar essa ideia, volto ao trio fundador da Ambev e destaco um bate-papo que o time teve com o Marcel Telles.

Apesar de ser um dos homens mais ricos no Brasil e ter uma influência enorme na construção do maior império cervejeiro do mundo, Marcel revelou que não considera que tenha algum tipo de talento especial.

Segundo ele, seu maior dom estava ligado à mesa de operação do banco, no início da carreira. Porém, em pouco tempo, estava claro que existiam pessoas que executavam essas atividades melhor do que ele. Essas pessoas eram uma ameaça direta ao seu cargo.

Dentro desse cenário, ele tinha três opções.

A mais óbvia, que infelizmente é a que muitos líderes escolhem, é a de sabotar o crescimento do time e se tornar um tipo de teto.

A segunda opção, é a de ser “atropelado” por profissionais mais capazes e ambiciosos.

Eis que, é na terceira opção que está o pulo do gato. Mais do que o pulo do gato, posso falar que esse é o pulo do tigre!

Esse pulo do tigre que o Marcel teve foi o de treinar os profissionais para o substituírem. Porém, ao invés de ser substituído e descartado, ele foi capaz de crescer e assumir novos desafios, cada vez mais ambiciosos.

Na prática, ele percebeu que a grande sacada era fazer com que a empresa se tornasse maior, para dar espaço para os talentos que querem crescer.

Aplicando essa lógica por algumas décadas, eles conseguiram atingir resultados inimagináveis, sempre focados no que o Jorge Paulo descreve como “formação de um exército de gente boa”.

Deixo então a reflexão: enquanto líder, você é um teto para o time ou é alguém que forma sucessores e será responsável pelos novos patamares de crescimento da empresa?

Millor Machado assina a coluna Liderança e Produtividade, no Inova360, parceiro do portal R7. É CEO e co-fundador do GPS de Gestão e possui uma extensa experiência como executivo e consultor, auxiliando líderes de diversos setores a atingirem melhores resultados. Também um quadro sobre liderança e produtividade no programa de TV Inova360, na Record News.

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