A tecnologia deveria gerar qualidade de vida, não preguiça!

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Por Marcio Bueno

A tecnologia está para nos servir, não o contrário!

Esta é a frase que está na capa do meu LinkedIn, e eu realmente acredito e trabalho para isso.

E nesta linha de raciocínio, eu me surpreendi com uma notícia que li de uma empresa que lançou o conceito de uma cama para gamers.

Neste conceito, a cama é cercada de tecnologia, que atende todas as necessidades de um gamer, para que não precisem se levantar para jogar.

Segundo a marca, que já fabricava cadeiras e outros acessórios para este público, era comum receber depoimentos do tipo: “Todos os dias eu tenho que me levantar da cama para poder jogar. Por que tem que ser tão difícil? “

Neste momento surge um dilema ético que muitas empresas nem consideram.

Faço um produto para atender esta demanda, mesmo sabendo que um grande número de pessoas passará dias trancados em seus quartos sem sair, ou crio um produto que conscientiza ao gamer que além de jogar ele deveria levantar-se da cama, praticar atividade física, relacionar-se com outras pessoas?

O caminho mais fácil é criar o produto e ganhar muito dinheiro, afinal de contas, a empresa não obriga ninguém a comprar seu produto e muito menos, tem a responsabilidade de controlar os hábitos das pessoas, não é mesmo?

Errado!

Em minha opinião, toda empresa tem responsabilidade sim na construção de hábitos saudáveis, equilíbrio e qualidade de vida.

Construir uma sociedade melhor é obrigação e responsabilidade de todos.

Não sou contra o vídeo game, inclusive existem estudos que mostram os benefícios em usa-los.

Mas como tudo na vida, deve ser feito com moderação.

Também não sou contra a cama gamer ou a qualquer outro produto, desde que as empresas criem mecanismos reais para conscientizar sobre os excessos.

Não basta escrever no manual, que quase ninguém lê, que este produto deve ser usado com moderação.

Do contrário, estaríamos contribuindo para uma geração de pessoas doentes, físicas e mentalmente. A falta de atividade física, falta de relacionamento, de toque, de abraço, prejudica, e muito, a qualquer ser humano.

E normalmente, as mesmas pessoas que ganha dinheiro com este tipo de produto, são os mesmos que reclamam que as novas gerações não sabem relacionar-se, não são comprometidas, não dão valor ao esforço para conquistar seus objetivos.

Como vai dar valor ao esforço uma pessoa considera um sacrifício ter que levantar-se de sua cama, caminhar 5 ou 10 metros até a mesa do computador para jogar vídeo game?

A este tipo de situação, na metodologia da Tecno-Humanização, é chamado de Transtorno Dissociativo Corporativo – veja esse meu artigo aqui.

Muitos executivos dissociam suas tomadas de decisões do impacto real que tem na sociedade. Por certo, sociedade que ele mesmo vive.

As empresas têm uma participação ativa e relevante na formação de uma sociedade, portanto é sua responsabilidade elevar o nível de consciência.

Não vale tudo para ganhar dinheiro.

Porque o preço que pagamos todos por isso é muito alto.

Nunca tivemos tanta tecnologia disponível e acessível, e isso pode ser uma grande oportunidade para aplica-la para construir um mundo melhor.

A pandemia, como qualquer evento de alto impacto emocional, tem elevado o nível de conscientização e humanização das pessoas.

E as empresas terão que fazer o mesmo para atender este novo comportamento de seus clientes.

Lembrando sempre que, a tecnologia está para nos servir, não o contrário.

 

Marcio Bueno assina a coluna “Tecno-Humanização”, no Inova360, parceiro do portal R7, e apresenta um quadro sobre o tema no programa de TV Inova360, na Record News. É Tecno-Humanista, fundador da BE&SK e criador do conceito de Tecno-Humanização.

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